DA INFLUÊNCIA CHINESA N'OS CAVALEIROS DO ZODÍACO


Tudo começa com as seguintes perguntas:
1. Por que é que tudo gira em torno da armadura de Sagitário?

2. Por que é que temos especificamente
10 cavaleiros de bronze,
12 cavaleiros de ouro,
24 de prata (sendo que, talvez, o correto devesse ser 28, por haver 28 mansões lunares, na Astrologia chinesa > 10 + 12 + 28 = 50. O que faria com que sobrassem pelo menos mais 38 armaduras, dando o total de 50 + 38 = 88 armaduras = 88 constelações)?

A resposta para ela se dá pelo fato de - para além de Sagitário ser considerado o signo do criador da trama, Masami Kurumada - na Astrologia e Cronologia chinesas, a divisão dos ciclos se dar por meio de dez divisões, chamadas de troncos celestes, que se desdobram em mais doze divisões, os ramos terrestres, que se manifestariam como doze signos de ordem fixa - tanto solar, quanto lunar. Tal cálculo se dá porque uma das dez divisões celestes se divide em duas, o que, portanto, faz com que haja 12 unidades ou divisões.

Desse modo, contam-se cinco ciclos de doze anos (o que contabiliza 60 anos, isto é, um ciclo sexagenário), e, em cada um deles, o primeiro é o Ano do Rato. Da mesma forma, no Ano Lunar Turco-chinês (sic) o primeiro mês é o do Rato - no Ano Solar (ainda que na Wikipedia se diga ano lunar), ele é o quinto - e, também, as primeiras duas horas do dia (2 horas = 1 hora chinesa).

O primeiro signo desse ciclo duodecimal (ou duodenário) é o do Rato, que corresponde exatamente ao signo de Sagitário, na Astrologia Ocidental. Nesta, ele é regido pelo planeta Júpiter (o planeta do elemento da Madeira ou do Vento, em chinês), enquanto que, na chinesa, ele é regido pelo elemento da Água, correspondente ao planeta Mercúrio.

Este planeta representa a troca, o comércio, a mutabilidade que não perde o seu eixo - o Tao, em resumo: mutabilidade esta, cuja figura mais representativa, na Astrologia, é a do Centauro - o primeiro mutante a ter vivido entre homens e que representava o controle das paixões que caracterizariam a sabedoria suprema, cf. Quíron).

Na concepção chinesa da vida, para além de a Água produzir a Madeira, no ciclo transformativo dos Cinco Elementos (Água, Vento, Fogo, Terra e Metal), o Vento (Feng) e a Água (Shui) são as duas forças elementares mais poderosas: se formos ver, na Bíblia, mesma, as referências ao Vento (Espírito) e à Água sempre trazem a tona aquilo que há de Novo dentro daquilo que houver de Velho - o Espírito de Deus revolver-se violentamente sobre a face das águas, o não nascer da água e do espírito impedindo a entrada no Reino de Deus, o ser nascido do Espírito caracterizado por uma não fixação em um lugar apenas (o vento sopra onde quer... e não sabes nem donde vem, nem para onde vai...), mas num desapego completo que se demonstra na adaptabilidade (cf. Bruce Lee, sobre o ser água)...

E, daí, qual seria o oposto do signo do Rato?

Sim, o signo do Cavalo. Que é o primeiro signo da segunda metade do período de doze, e corresponde, portanto, ao signo de Gêmeos, na Astrologia Ocidental.

Na astrologia chinesa, ele é regido pelo elemento do Fogo, correspondente ao planeta Marte - o que explica o fato de Saga ter adotado o nome de Ares (= o deus da guerra, na mitologia grega). Na astrologia ocidental, ele é regido por Mercúrio (o planeta de elemento água). Elementalmente, Fogo e Água, por sua vez, se anulam, produzindo Vapor. Fogo, basicamente, seria Vento incandescente - o que torna a Água, o elemento que une tudo - "A água não tem inimigos", disse já Fela Kuti: é nela que se abarcam o Caos e a Ordem - esta última, transparecida por meio da energia do Vento - o elemento que separa tudo (cf. o surgimento da Terra Seca, no Gênesis, a Abertura do Mar Vermelho, no Êxodo, dentre outros exemplos).

Isso explica, também, o porquê de Aioros ter esse nome em função de Éolo, divindade dos ventos, na Odisséia (e Aioria > Aiolia = Eólia, região da Grécia, denominada em função de Éolo), enquanto que Saga e Kanon, são referências a atividades narrativas (sagas e cânones) - atividades, que seriam do Espírito e, nas quais, segundo a Astrologia ocidental, se destacam nas pessoas nascidas sob o signo de Gêmeos - enquanto que, o detalhe, seria característica do signo de Virgem - correspondente ao Galo, regido por Mercúrio e Vênus (elemento Metal ou Ouro).

Essa relação, no ciclo chinês, é de Canalização da Água, pois é com o regador que se leva o punhado de água necessário à regagem da terra, para que a planta surja e produza Vento. O que coloca em pauta a razão por que Shaka (oriundo de Shakya-muni, o nome do clã de Siddhartha), como o Cavaleiro mais próximo da Divindade (devido ao fato de estar sempre meditando, rumo ao Satori, ou, Iluminação: Bodhi, em sânscrito, que significa, tambem, Autoconscientização, ou, Autorrealização, como dizem os adeptos da escola Prabhupada de vedantismo).

Disso é que derivam-se todos os desenrolares das tramas de Masami Kurumada dentro do Santuário de Athena - a divindade surgida da Cabeça de Zeus, a qual representa, para além da Sabedoria, das Artes e dos Ofícios, a Guerra Heroica, e que, também, após haver disputado contra Poseidon sobre o domínio de Atenas, fez surgir a primeira oliveira, enquanto Poseidon fez surgir o primeiro cavalo: o rei-serpente Cécrope teria recusado o presente deste último, o qual, furioso, inundou parte da região da Ática - onde se localiza a cidade - por conta da recusa.

E dessa lenda, surge o episódio, na trama, em que Saga aprisiona a Kanon numa caverna no Cabo Sounion, na Grécia. Enquanto Saga era, até então, um cavaleiro leal a Atena, Kanon era um ser obstinado por destrui-la fosse o que fosse, custasse o que custasse. E, daí, Saga aprisiona-o, até que ele, Kanon, se alia a Poseidon - somente em seguida, tornando-se membro da tropa dos Cavaleiros de Ouro.

Enfim, é disso que estamos falando, graças ao bom Deus.

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